Em um bate-papo descontraído, o proprietário dos salões Bressan Cabeleireiros, em Florianópolis, nos contou sobre o início da carreira, curiosidades e desafios. Bressan é natural de Anchieta (SC), mas reside na capital catarinense desde 1999, e já soma mais de 30 anos de profissão.

“Estar por dentro das tendências é legal, mas seguir seu próprio estilo é sempre a melhor opção.”

Bressan NY

O que te trouxe a Florianópolis?
Sempre quis morar aqui. Mas antes passei pelo Rio de Janeiro e por Cuiabá. Comecei a trabalhar no Rio com 16 anos em um salão como auxiliar, e lá fui me aperfeiçoando e aprendendo. Fiquei por quatro anos no Rio.

E depois de lá?
Do Rio fui morar em Cuiabá, onde mora parte da minha família. Cheguei em Florianópolis em 1999.

Qual foi o fator determinante para sua vinda?
Primeiro por ser meu estado, por gostar da cidade e também por possuir amigos e familiares aqui.

E aqui, você já chegou com um negócio próprio, ou foi trabalhar em um salão?
Aqui já comecei com meu próprio salão, mas bem pequeno, no mesmo endereço onde ele se encontra hoje na Bocaiúva. E aos poucos fui expandindo, até se tornar como está hoje. Em 2015 completamos 16 anos de funcionamento.

Qual a sua especialidade no salão?
Corte, coloração e mechas.

Você ficou sempre por esse campo?
Não, o cabeleireiro tem que saber fazer de tudo, mas com o tempo você vai vendo o que faz melhor. Cabeleireiros são como médicos; você vai se especializando em alguma área, vai aprendendo a fazer um bom corte, uma boa maquiagem etc. O cabeleireiro deve saber fazer de tudo, mas eu particularmente procuro fazer o que mais gosto, que é cortar e fazer mechas.

Você acha que escolheu a profissão ou a profissão te escolheu?
Eu acho que a profissão me escolheu. Comecei por gostar.

Chegou a cogitar uma outra profissão?
Quando somos adolescentes sempre temos sonhos… Já quis ser advogado.

Hoje, proprietário de dois salões, você é mais do que cabeleireiro, é um empresário. Sentiu dificuldade para lidar com finanças, gestão e coisas do tipo?
Não, porque tenho um “espírito inquieto”. Meu pai era dono de um açougue, e isso me estimulou desde pequeno a querer ter um negócio próprio.

Quanto tempo ao todo de profissão?
Comecei aos 16, então são mais de 30 anos de profissão.

Você está sempre buscando se aperfeiçoar, através de cursos e palestras. Alguma dessas experiências te marcou mais?
Todas valem, porque tiro proveito de qualquer experiência. Mas a que mais me marcou foi minha primeira viagem para Paris, em 2007, quando fui fazer meu primeiro curso fora da América Latina.

Hoje fala-se muito em tendência, o que está certo ou errado, para cada estação. O que você tem a dizer sobre isso? O público deve seguir e estar de olho nas tendências, ou isso vai de pessoa para pessoa?
Antigamente, tendências não eram tão marcantes como hoje. Hoje elas seguem as estações. Na minha opinião estar por dentro das tendências é legal, mas seguir seu próprio estilo é sempre a melhor opção.

Você costuma dar dicas, e fazer comentários com suas clientes? Por exemplo, se chega alguém que quer “platinar” o cabelo, você opina sobre ou simplesmente acata?
O bom profissional tem que estar sempre apto a orientar o cliente. Se o profissional não opinar sobre, o que era para ser uma mudança de visual pode se tornar uma catástrofe. Existem pessoas que em hipótese alguma podem ser loiras, ou ruivas, pois varia de pessoa para pessoa. O profissional tem que saber usar cores, e saber fazer um trabalho personalizado para cada cliente.

Ter o poder de mudar o visual de uma pessoa é uma grande responsabilidade… Como você se sente sabendo que pode mudar a autoestima de alguém?
É uma responsabilidade muito grande, porque às vezes a pessoa pode estar com algum problema, pode estar se sentindo feia. Você precisa saber falar para a cliente quando não é hora de mudar… É quase um trabalho de psicólogo. Geralmente existem mulheres que se desleixam quando estão casadas, e quando se divorciam tentam buscar todo o tempo perdido, passando a se cuidar mais. Mais do que o dinheiro, o que me move como profissional é a satisfação do cliente.

Antigamente os salões de beleza eram frequentados em seus 90% por mulheres. Você notou algum crescimento de clientes masculinos, que buscam o salão para melhorar sua aparência?
Sim, com toda certeza houve um crescimento considerável. Principalmente para camuflar os cabelos brancos, e para manter o corte. E também para pedicure, manicure, depilação e limpeza de pele.